É impressionante como temos dificuldades de largar velhos
vícios, não é mesmo? Quantas vezes nos percebemos pela manhã falando quase nada
com quase ninguém, mesmo a casa estando abarrotada de gente, aquela gente que
está sempre conosco e está esperando que falemos qualquer coisa insignificante
cheia de sentido. Um vício. Uma mania de silenciar.
E quantas vezes dormimos por horas a fio, dia à dentro, sem cansaço, sem sono, sem razão. Deixamos passar horas irrepetíveis, calando nossa existência num gesto antigo. Um vício. Uma mania de silenciar.
Deveríamos estar nos humanizando, tendo em vista que fomos
feitos ou evoluímos para mudar. Uma existência ligada à mudança. Transformar
nos caracteriza, nos acentua, nos põe vírgulas, reticências...
Mas insistimos em nos pontuar e acabar a frase de nossos
dias nos amarrando em um jeito velho de ser, uma mesmice de subjetividade, um
quadro abstrato de uma cor só. Um vício. Uma mania de silenciar.
Deveríamos ser,
na medida do possível, fluidez e sermos gratos por isto. Uma vida. Uma mania de
soar.
Igor Oliveira

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